Nesses quase 40 anos de vida pública, eu já vi de tudo. Caprichos políticos foram levados às ultimas consequências para sufocar a voz dos opositores que ousavam a contestar o governante de plantão. Entre todos, o episodio mais emblemático, foi o fechamento da Rádio Jornal, em 1993, na gestão do Sr. Michel Hagge, avô do atual prefeito – considerado o maior atentado contra a liberdade de imprensa. Foi o preço pago pela emissora por ter assumido uma postura independente e de vanguarda, em defesa sociedade, considerado o maior atentado contra a liberdade de imprensa.

Como instrumento de vingança usou o fim contrato de comodato celebrado entre o município e a emissora, de um terreno  onde ficavam instalados os seus transmissores, nas proximidades dos Orixás. Foram em vão as  inúmeras tentativas para se buscar uma solução amigável. O prefeito orientado por sua assessoria jurídica, inflexível, ajuizou ação de reintegração de posse, que lhe foi concedida pela Justiça. Pagou caro pela sua incúria. Teve como consequência, a fragorosa derrota politica eleitoral para o seu arquirrival Dr. José Otávio, hoje o seu melhor parceiro e fiel escudeiro.

 Michel não se apiedou nem mesmo diante do apelo dos funcionários da emissora ameaçados de perder o emprego, muito menos dos reiterados pedidos de vários setores da sociedade, que indiretamente se viram atingidos por aquela ação violenta, antidemocrática, e contra a liberdade de imprensa, postulado sagrado do Estado Democrático de Direito.

 A Rádio Jornal, que bravamente resistiu à barbárie da ditadura militar, sendo o único veiculo de comunicação da cidade, a registrar esse período triste da história contemporânea do País, que levou para a prisão  alguns dos nossos mais ilustres concidadãos, se sucumbiu diante da virulenta decisão do chefe de executivo municipal de Itapetinga.  A intolerância com os que se opunham ao seu governo era  implacável, e para isso, não tinha limites.

Em sua sentença, o juiz determinou que a emissora teria que desocupar a área em 30 dias.  Sob grande comoção da sociedade local, no trigésimo dia, o ato  inclemente do Sr. Michel, tirava do ar emissora padrão da cidade, deixando ao desamparo quase uma dezena de pais de família, locutores, repórteres, operadores de áudio, pessoal da limpeza e colaboradores que recebiam “pro labore”.

 As forças democráticas da cidade viviam um permanente clima de medo e apreensão. Poucos ousavam partir para o enfrentamento. Era proibido o contraditório. Há registros de perseguições politicas de servidores públicos que eram transferidos arbitrariamente para locais bem distantes de sua residência, por discordar da gestão municipal, por mero capricho politico.

Ativistas ligados à cultura em todas as suas formas não eram bem vistos pela equipe de governo. Naquele obscuro período politico, obras de arte foram destruídas. O estilo coronelesco de governar marcava o inicio da dinastia michelista,  que não contemplava os setores populares da cidade.

Passadas quase quatro décadas, vê-se que pouca coisa mudou. Os métodos são os mesmos. Opositores são oprimidos, vozes são silenciadas, tentam a todo custo, com processo fraudulento suspender mandato de vereador, eleito democraticamente. Utiliza-se desses artifícios para tentar emparedar os representantes da cidadania, que detém fartas provas de atos praticados pela gestão municipal, que se forem levadas adiante, como deve ser, com boa vontade dos órgãos de fiscalização do Estado, no cumprimento do seu dever constitucional (MP, MPU e o Tribunal de Contas do Município), e de alto poder explosivo, capaz de revelar para a Bahia e o Brasil, a verdadeira face de um governo que despreza o clamor do povo e direciona suas ações para um grupo de privilegiados.

Mas a história parece se repetir. Nos nossos dias veículos de comunicação alternativa são impedidos transmitir eventos esportivos, outros órgãos de imprensa são pagos para repetir a falsa narrativa do governo municipal, de que Itapetinga vive tempos de prosperidade, quando a realidade indica que estamos vivendo a maior crise social e econômica do município, com três anos sem geração de emprego e renda e a precarização de todos os serviços públicos oferecidos a população, sem nenhum registro de obra relevante que justifique  a aplicação de milhões de reais que irrigam os cofres públicos todos os meses.

Embora, jovem, o prefeito de Itapetinga, Sr. Rodrigo Hagge,  eleito sob o signo do novo, aos poucos vai assumindo posturas administrativas de períodos que a população imaginava fazer parte do passado, e sem medir as consequências dos seus atos, vai avançando no sentido de tirar do seu caminho adversários reais e imagináveis,  com o objetivo de levar adiante o seu projeto de poder. Para a sua consecução, não mede esforços, tratora  correligionários de primeira ora e adesistas, políticos de baixo coturno ou não,  que se apresentam no cenário politico como uma ameaça às suas ambições.

Todavia, no seu desmedido plano de manter-se no poder, falta ao prefeito, um dos mais rejeitados da história recente da cidade, combinar suas “astúcias”, com o povo, que parece ainda não ter sido consultado.

 

Por: Juraci Nunes de Oliveira, advogado, radialista e ex-presidente da Câmara de Vereadores.