Desgastado por escândalos de corrupção, pela prisão de alguns de seus principais líderes, pelo governo impopular do ex-presidente Michel Temer e pela fadiga da imagem de seus mais tradicionais caciques, o MDB encolheu, perdeu prestígio e agora sofre pressão interna para se renovar e não implodir. Pela primeira vez desde a redemocratização, o MDB está afastado do Palácio do Planalto, com somente um ministro, Osmar Terra (Cidadania). Além disso, elegeu somente 3 dos 14 candidatos a governador que lançou em 2018. Nos últimos anos, o partido viu nomes como Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima irem para atrás das grades, todos envolvidos em esquemas de corrupção. Além de se tornar o presidente mais impopular da história do Brasil, Temer foi alvo de três denúncias da Procuradoria-Geral da República, que mirou também nos seus principais ministros, Eliseu Padilha e Moreira Franco, ambos emedebistas. A decadência do MDB começou a se materializar em números nas eleições de 2018. Não bastasse o fiasco na disputa pelo comando de estados –elegeu apenas os governadores de DF, PA e AL–, o partido que havia eleito 66 deputados federais em 2014 e encerrou 2018 com 51, começou 2019 com apenas 34. Quinta maior bancada da Câmara, ficou na Mesa Diretora unicamente com uma terceira suplência, ocupada pelo deputado Isnaldo Bulhões Jr (AL). No Senado, a sigla que começou 2015 com 19 integrantes, tinha 12 no ano passado e hoje tem 13. Não conseguiu reeleger figuras como Romero Jucá (RR) e Eunício Oliveira (CE). A bancada no Senado rachou antes mesmo de o ano legislativo começar, dividindo-se entre os grupos de Renan Calheiros (AL), senador no quarto mandato, e Simone Tebet (MS), na metade do primeiro. Renan venceu a disputa interna pela presidência da Casa, mas, no plenário, percebeu que seria derrotado, abandonou a eleição e submergiu. Nem sequer ficou para ver o MDB perder a presidência do Senado para Davi Alcolumbre (DEM-AP).